A estratégia que sigo para ser feliz com bitcoin

Uma estratégia pra ser feliz com bitcoin (ou qualquer outro ativo especulativo)

Você tem bitcoin?

Se sim, tenho certeza que passou as últimas semanas se perguntando se deveria vender ou comprar mais, quanto e quando.

A decisão de comprar e vender bitcoins envolve bastante risco e incerteza — fatores que podem acabar com a paz de qualquer um que não esteja acostumado (na verdade, mesmo dos que estão acostumados). A diferença entre risco e incerteza é a seguinte: risco é quando sabemos os possíveis resultados e a distribuição de probabilidades entre eles; incerteza é quando não temos como fazer nenhuma estimativa matemática do que vai acontecer.

No caso do bitcoin, tanto risco quanto incerteza estão envolvidos, mas pra simplificar vamos considerar que seja apenas como uma decisão sob risco. O risco é modelado, geralmente, por volatilidade histórica e outras variáveis. O bitcoin (e diversas outras criptomoedas) é tão volátil que, no limite, simplificando mais ainda, não acho exagero considerar que seu risco é perder todo o valor aplicado.

Histórico da oscilação do preço do bitcoin, em R$ (o gráfico é do Google)
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Janelas quebradas e o comportamento humano

Quem vai de carro de São Paulo para a zona sul do Rio passa por uma experiência constrastante e que não se pode ignorar, que é sair da Dutra e entrar na Linha Vermelha. Eu passo por essa experiência algumas vezes por ano — nunca muda. Enquanto a Dutra, via pedagiada, mantém boas condições de asfalto e sinalização, a Linha Vermelha, mantida pela Prefeitura, é uma coletânea de buracos, asfalto irregular, bolsões de água quando chove, falta de sinalização, e margens mal cuidadas. Não tenho dados sobre, e não sei se é cabível a comparação, mas acredito que a Linha Vermelha seja sede de mais crimes violentos (como arrastões) proporcionalmente à Dutra.

Quando estudei Behavioral and Experimental Economics em Copenhagen, um dos temas do curso era cooperação e tomada de decisão relacionada a bens públicos. Lá, estudei algumas pesquisas experimentais que, por sua consistência de resultado, acabaram dando corpo ao que se chamou de teoria das janelas quebradas, ou broken windows theory. A ideia geral é que lugares degradados e mal cuidados tendem a exibir maior índice de criminalidade e violência do que lugares bem cuidados.

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Foto de mesa com notebook aberto em tela do Notion onde se lê "Projetos"

2020, um ano pra nunca esquecer

Faltam menos de duas semanas para terminar 2020, um ano pra nunca esquecer.

Vivemos a experiência de uma pandemia global. Sofremos perdas. Estivemos fisicamente mais distantes uns dos outros. Vimos o desemprego disparar e muitas famílias e negócios em apuros. Uma sociedade fragmentada por fanatismos divergentes, como se política fosse futebol, no momento em que mais precisávamos nos unir pelo bem comum. Muita incerteza e, consequentemente, desinformação pautando discussões acaloradas e, quase sempre, rasas e improdutivas.

Para a humanidade, definitivamente 2020 não foi um ano bom.

Apesar desse contexto difícil, quando faço o exercício de colocar uma lupa sobre a minha vida apenas, o que percebo é que foi um ano muito bom pra mim. Um ano pra nunca esquecer, mas num sentido positivo.

Com um pouquinho de culpa pelo egoísmo de estar comemorando minhas conquistas individuais quando o mundo inteiro continua um caos, vou registrar aqui algumas experiências que fizeram de 2020 um ano de virada pra mim1.

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Como faço meu planejamento de atividades, priorização e gestão do tempo. Foto de uma xícara de café

Como planejo, priorizo e organizo meu tempo

Apesar do que a foto sugere, a resposta não é tomando café (embora ajude bastante).

Quando comecei a planejar meu gap year, uma das primeiras coisas que fiz foi listar os conhecimentos e skills que queria desenvolver durante esse período. Isso me ajudou a entender os tipos de experiências que eu deveria buscar pra alcançar meus objetivos — ou, em menos palavras, como eu deveria preencher o meu tempo.

Nos últimos meses aprendi (após muito testar, errar e repetir) a criar rotinas de planejamento, priorização e gestão do meu tempo. Essas rotinas foram bastante iteradas ao longo das semanas e agora posso dizer que funcionam super bem1.

Acredito que o aprendizado que construí com esse desafio de gestão do tempo pode ser útil pra outras pessoas que se dividem entre vários projetos. Por isso, decidi documentar e compartilhar aqui as etapas que sigo. Se você tiver alguma experiência pessoal com isso, ou ideias de como aprimorar, comenta lá embaixo que vou adorar saber.

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Campus da University of Copenhagen

Como foi minha experiência estudando Economia em Copenhagen

Voltei tão acelerada da viagem que ainda não tinha conseguido tirar um momento pra escrever este texto. Já era hora.

Tl;dr: foi uma experiência incrível.

Vou tentar sumarizar os principais pontos em relação ao curso em si, embora a experiência e os aprendizados resultem de uma soma de fatores que vão muito além do conteúdo programático.

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University of Copenhagen - Behavioral and Experimental Economics

75 horas em Copenhagen, 2 aulas e as primeiras impressões

Ufa! Deu tudo certo. Em meio à pandemia de covid-19, pude entrar na Dinamarca (como estudante) para fazer o curso de Behavioral and Experimental Economics na University of Copenhagen, ou KU, como o pessoal fala aqui (a pronúncia de KU é “kay/you”. Melhor avisar, né).

Vou deixar pra escrever mais sobre minhas impressões da cidade, os lugares, o clima e as pessoas em outro momento (mas o resumo é: tá rolando um match bem legal). Hoje quero compartilhar como foram as duas primeiras aulas! Mas antes vou contar mais um pouco sobre o contexto da pandemia.

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Planejando a primeira viagem do gap year: foto da mala para Copenhagen

A primeira viagem do gap year: preparativos para Copenhagen

Quando planejei meu gap year, em nenhum cenário considerei um problema global que me impedisse de sair de casa e viajar para outros países. Pelo plano inicial, já teria ido pra Califórnia duas vezes (quando fico triste por não ter rolado, lembro da rampada do dólar no primeiro semestre e fica tudo certo 😂).

Mesmo eu tendo ajustado os planos e completado os primeiros três meses bastante animada com os rumos que estou tomando, a terceira viagem planejada era uma que eu não queria perder por nada. É a viagem para Copenhagen, onde vou fazer um summer course em Behavioral and Experimental Economics na University of Copenhagen.

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Paper sobre o gap entre intenção e ação e planning prompts

Querer é poder? O gap entre intenção e ação e os planning prompts

Se tem um tema dentro das ciências comportamentais aplicadas que tem me encantado são os chamados implementation intentions.

Admito que rola uma heurística do afeto pesada aí quando preciso tomar decisões relacionadas a… como tomamos decisões. Adoro estudar o gap entre intenção e ação (e pensar em como podemos estreitá-lo!).

Ontem li um paper que despertou ainda mais meu interesse pelo tema, o Beyond good intentions: Prompting people to make plans improves follow-through on important tasks (“Além de boas intenções: Incitar as pessoas a fazerem planos melhora o cumprimento de tarefas importantes”).

O que é um implementation intention?

Um implementation intention, ou intenção de implementação, é algo que tem por objetivo aproximar uma pessoa de ter um comportamento que ela pretende ter, ou criar um hábito desejado. É um compromisso que se assume de alguma forma.

Levando ao extremo, poderia ser um contrato assinado. Mas há evidências de que mesmo um plano simples (simples mesmo!) pode contribuir para diminuir o grande gap que em muitas situações existe entre intenção e ação.

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Eu lendo um paper sentada no chão da sala

Um balanço dos três primeiros meses do meu gap year

Clichês existem por um motivo, e eu não posso resistir a um clássico pra começar este relato: como o tempo passa rápido, gente!

Em abril iniciei um período sabático que não é sabático. Tipo o suco de tamarindo que tem gosto de limão, do Chaves.

Já se passaram quase 100 dias, mas pra mim parece até que passou mais!

Aproveitei o marco pra fazer um balanço sobre o que rolou nos últimos três meses, entrar nos detalhes e compartilhar com vocês as conquistas e aprendizados desse período.

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Behavioral Product Manager x Product Manager tradicional

Construindo produtos que levam em conta o comportamento humano

Os mercados de tecnologia andam cada vez mais competitivos. Temos inúmeras soluções para resolver um mesmo problema.

Em alguns casos, escolher se torna o problema dos clientes, e engajá-los e retê-los se tornam os desafios das empresas. Esse foi um dos motivos que me levaram a estudar comportamento, tomada de decisão e psicologia aplicada.

Com tanto produto bom e com precificação competitiva no mercado, acredito de verdade que tecnologia (facilmente copiável) não diferencia nem gera valor por si só. Entender o que se passa na cabeça das pessoas e construir em cima disso, sim.

Mas como exatamente seria construir levando em conta o que se passa na cabeça das pessoas? Um caminho possível é trazendo a figura do Behavioral Product Manager, como uma evolução do Product Manager tradicional.

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