Eu lendo um paper sentada no chão da sala

Um balanço dos três primeiros meses do meu gap year

Clichês existem por um motivo, e eu não posso resistir a um clássico pra começar este relato: como o tempo passa rápido, gente!

Em abril iniciei um período sabático que não é sabático. Tipo o suco de tamarindo que tem gosto de limão, do Chaves.

Já se passaram quase 100 dias, mas pra mim parece até que passou mais!

Aproveitei o marco pra fazer um balanço sobre o que rolou nos últimos três meses, entrar nos detalhes e compartilhar com vocês as conquistas e aprendizados desse período.

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Behavioral Product Manager x Product Manager tradicional

Construindo produtos que levam em conta o comportamento humano

Os mercados de tecnologia andam cada vez mais competitivos. Temos inúmeras soluções para resolver um mesmo problema.

Em alguns casos, escolher se torna o problema dos clientes, e engajá-los e retê-los se tornam os desafios das empresas. Esse foi um dos motivos que me levaram a estudar comportamento, tomada de decisão e psicologia aplicada.

Com tanto produto bom e com precificação competitiva no mercado, acredito de verdade que tecnologia (facilmente copiável) não diferencia nem gera valor por si só. Entender o que se passa na cabeça das pessoas e construir em cima disso, sim.

Mas como exatamente seria construir levando em conta o que se passa na cabeça das pessoas? Um caminho possível é trazendo a figura do Behavioral Product Manager, como uma evolução do Product Manager tradicional.

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Home office durante a madrugada

Um registro improvável de uma madrugada produtiva

São 4h18 enquanto escrevo este primeiro parágrafo. Está escuro e silencioso. Em dias normais, meu despertador tocaria daqui a pouco. Fui dormir cedo mas perdi o sono por volta das 2h. Depois de relutar um pouco, achei melhor direcionar toda a minha energia desperta pra fazer algo útil.

Isso geralmente não acontece comigo. Sou uma pessoa da manhã, prefiro acordar cedo (não que seja fácil; e definitivamente não aos fins de semana). Gosto de sentir o ar puro do dia, tomar meu café, fazer a manhã render. Mas hoje aconteceu de perder o sono, justo após uma semana cansativa, dormindo menos horas que o normal. Paciência. Parece que às vezes quanto mais cansados estamos, mais difícil fica descansar, não é?

Depois de ler e estudar um pouco, fiquei com vontade de escrever. Faço aqui então um registro dessa minha madrugada improvável. Espero, depois de publicar, dar de cara com meu sono que estava perdido por aí.

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A tal da saliência e as vidas que importam

Antes de começar a estudar neurociência, saliência pra mim era só uma palavra engraçada que não fazia parte do meu vocabulário cotidiano. Uma forma divertida e meio tosca de falar do atrevimento sexual de alguém, ou talvez da gordurinha sobrando na barriga.

Depois me acostumei a compreender a palavra saliência como uma propriedade de um estímulo cognitivo, e seu significado mudou completamente para mim. Hoje, saliência é a minha palavra preferida para entender por que alguns estímulos geram uma grande mobilização social, ao passo que outros não.

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Foto de pôr-do-sol em São Paulo

O nudge que me fez gostar de meditar

Sempre me considerei uma pessoa automotivada e com uma disciplina e capacidade de autocontrole acima da média para algumas coisas (não para tudo). Essas características me dão uma bela ajuda pra cumprir os objetivos que coloco pra mim mesma. Mas acontece que sou humana. Tem coisa que não vai. Planejo, mas não sai.

Desde que comecei a estudar comportamento, tenho voltado o olhar pra mim mesma pra ver onde dá pra aplicar o que venho aprendendo. Uma das coisas que por muito tempo planejei (mas não engatei) foi meditar. Agora parece que o negócio está andando, graças a um nudge que criei sob medida pra mim mesma. Um self-nudge, talvez? Se ainda não existe essa expressão, vocês são testemunhas que estou criando ela agora!

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O experimento da doença asiática

O ano é 2020. O mês, janeiro. A cada dia se tornam mais intensas as notícias do tal vírus que eclodiu uma epidemia na China e acabaria levando a milhares de mortos no país.

Acompanhando as primeiras notícias do que viria a se tornar a pandemia de coronavírus, não pude deixar de me lembrar do experimento da doença asiática, conduzido por Amos Tversky e Daniel Kahneman há uns 40 anos atrás. Esse experimento é uma das mais conhecidas demonstrações do viés de framing, ou enquadramento, em tomada de decisão.

Em uma frase curta, esse viés é o seguinte: dependendo da forma como uma mesma informação ou um mesmo problema é apresentado, podemos tomar decisões diferentes. Sim, estamos falando sobre uma pessoa obter resultados diferentes — ou exibir “mudanças de preferência”, no economês — para uma mesmíssima coisa, a depender da moldura com que ela se apresente.

Sabe aquele papo de que a forma como se fala é quase tão importante quanto a mensagem em si? Tem a ver com isso.

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Foto de Isabella Paschuini com livros ao fundo para a capa do artigo sobre como planejou um período sabático

Como me planejei para um período sabático

Há pouco mais de um mês iniciei algo inédito na minha vida pessoal e profissional: um período sabático.

Vou ser sincera com vocês, não gosto muito da palavra “sabático”. Ela vem do hebraico shabat e significa descanso, o que, como vocês vão ver, não é exatamente o que acontece no meu dia a dia. Então tenho preferido falar que iniciei um gap year*.

Sabático ou gap year, o fato é que ter tomado essa decisão não foi algo simples. Envolveu muito planejamento e preparação. Não à toa, ao contar meus planos para as pessoas, a reação mais comum tem sido:

— Nossa, admiro sua coragem!

Sei que muitos têm vontade de fazer essa mesma loucura um dia, então resolvi dar uma visão geral dos principais pontos que me motivaram a planejar esse período. Sinto que aprendi bastante com o processo e quero compartilhar o que foi essencial para que esse plano “corajoso” se tornasse realidade.

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A crença infundada na capacidade futura

Se tem um erro de julgamento e tomada de decisão claramente previsível em nós humanos, é essa coisa de acreditar que lá na frente vai ser muito mais fácil fazer algo que adiamos agora. Isso aparece em vários aspectos da nossa vida. É a tal da crença infundada na capacidade futura.

Olhando com minha polianice, gosto de pensar que é porque somos otimistas (taí outro assunto sobre o qual quero escrever em breve). Mas a verdade é que depositamos muitas expectativas em nosso eu futuro. Afinal, nós queremos ser perfeitos e sem falhas um dia, não queremos? Por um mundo de fadas sem defeitos! Mas amanhã, não hoje.

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Extreme Trust: o livro que mudou tudo

A gente adora estabelecer relações de causalidade porque temos sede de explicação, de coerência. Deve ser por isso que de vez em quando tento resgatar qual foi o gatilho que me despertou o interesse pelo estudo do comportamento humano. O que exatamente me fez acabar chegando até o momento atual? O mais provável é que tenha sido uma convergência de coisas que aconteceram na minha vida (posso falar mais sobre isso outro dia), um somatório. Mas não posso negar que um livro teve um poder de influência imenso nessa trajetória.

Lá por 2016 ou 2017, ainda na Vérios, comecei a entender o valor das conexões emocionais dos clientes com o negócio e a importância disso como uma alavanca de aquisição orgânica. De curiosa, pesquisava muita coisa sobre isso… E muitos caminhos me levaram a este livro: Extreme Trust: Turning Proactive Honesty and Flawless Execution into Long-Term Profits, de Don Peppers e Martha Rogers.

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