Campus da University of Copenhagen

Como foi minha experiência estudando Economia em Copenhagen

Voltei tão acelerada da viagem que ainda não tinha conseguido tirar um momento pra escrever este texto. Já era hora.

Tl;dr: foi uma experiência incrível.

Vou tentar sumarizar os principais pontos em relação ao curso em si, embora a experiência e os aprendizados resultem de uma soma de fatores que vão muito além do conteúdo programático.

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University of Copenhagen - Behavioral and Experimental Economics

75 horas em Copenhagen, 2 aulas e as primeiras impressões

Ufa! Deu tudo certo. Em meio à pandemia de covid-19, pude entrar na Dinamarca (como estudante) para fazer o curso de Behavioral and Experimental Economics na University of Copenhagen, ou KU, como o pessoal fala aqui (a pronúncia de KU é “kay/you”. Melhor avisar, né).

Vou deixar pra escrever mais sobre minhas impressões da cidade, os lugares, o clima e as pessoas em outro momento (mas o resumo é: tá rolando um match bem legal). Hoje quero compartilhar como foram as duas primeiras aulas! Mas antes vou contar mais um pouco sobre o contexto da pandemia.

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Planejando a primeira viagem do gap year: foto da mala para Copenhagen

A primeira viagem do gap year: preparativos para Copenhagen

Quando planejei meu gap year, em nenhum cenário considerei um problema global que me impedisse de sair de casa e viajar para outros países. Pelo plano inicial, já teria ido pra Califórnia duas vezes (quando fico triste por não ter rolado, lembro da rampada do dólar no primeiro semestre e fica tudo certo 😂).

Mesmo eu tendo ajustado os planos e completado os primeiros três meses bastante animada com os rumos que estou tomando, a terceira viagem planejada era uma que eu não queria perder por nada. É a viagem para Copenhagen, onde vou fazer um summer course em Behavioral and Experimental Economics na University of Copenhagen.

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Paper sobre o gap entre intenção e ação e planning prompts

Querer é poder? O gap entre intenção e ação e os planning prompts

Se tem um tema dentro das ciências comportamentais aplicadas que tem me encantado são os chamados implementation intentions.

Admito que rola uma heurística do afeto pesada aí quando preciso tomar decisões relacionadas a… como tomamos decisões. Adoro estudar o gap entre intenção e ação (e pensar em como podemos estreitá-lo!).

Ontem li um paper que despertou ainda mais meu interesse pelo tema, o Beyond good intentions: Prompting people to make plans improves follow-through on important tasks (“Além de boas intenções: Incitar as pessoas a fazerem planos melhora o cumprimento de tarefas importantes”).

O que é um implementation intention?

Um implementation intention, ou intenção de implementação, é algo que tem por objetivo aproximar uma pessoa de ter um comportamento que ela pretende ter, ou criar um hábito desejado. É um compromisso que se assume de alguma forma.

Levando ao extremo, poderia ser um contrato assinado. Mas há evidências de que mesmo um plano simples (simples mesmo!) pode contribuir para diminuir o grande gap que em muitas situações existe entre intenção e ação.

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Eu lendo um paper sentada no chão da sala

Um balanço dos três primeiros meses do meu gap year

Clichês existem por um motivo, e eu não posso resistir a um clássico pra começar este relato: como o tempo passa rápido, gente!

Em abril iniciei um período sabático que não é sabático. Tipo o suco de tamarindo que tem gosto de limão, do Chaves.

Já se passaram quase 100 dias, mas pra mim parece até que passou mais!

Aproveitei o marco pra fazer um balanço sobre o que rolou nos últimos três meses, entrar nos detalhes e compartilhar com vocês as conquistas e aprendizados desse período.

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Behavioral Product Manager x Product Manager tradicional

Construindo produtos que levam em conta o comportamento humano

Os mercados de tecnologia andam cada vez mais competitivos. Temos inúmeras soluções para resolver um mesmo problema.

Em alguns casos, escolher se torna o problema dos clientes, e engajá-los e retê-los se tornam os desafios das empresas. Esse foi um dos motivos que me levaram a estudar comportamento, tomada de decisão e psicologia aplicada.

Com tanto produto bom e com precificação competitiva no mercado, acredito de verdade que tecnologia (facilmente copiável) não diferencia nem gera valor por si só. Entender o que se passa na cabeça das pessoas e construir em cima disso, sim.

Mas como exatamente seria construir levando em conta o que se passa na cabeça das pessoas? Um caminho possível é trazendo a figura do Behavioral Product Manager, como uma evolução do Product Manager tradicional.

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Home office durante a madrugada

Um registro improvável de uma madrugada produtiva

São 4h18 enquanto escrevo este primeiro parágrafo. Está escuro e silencioso. Em dias normais, meu despertador tocaria daqui a pouco. Fui dormir cedo mas perdi o sono por volta das 2h. Depois de relutar um pouco, achei melhor direcionar toda a minha energia desperta pra fazer algo útil.

Isso geralmente não acontece comigo. Sou uma pessoa da manhã, prefiro acordar cedo (não que seja fácil; e definitivamente não aos fins de semana). Gosto de sentir o ar puro do dia, tomar meu café, fazer a manhã render. Mas hoje aconteceu de perder o sono, justo após uma semana cansativa, dormindo menos horas que o normal. Paciência. Parece que às vezes quanto mais cansados estamos, mais difícil fica descansar, não é?

Depois de ler e estudar um pouco, fiquei com vontade de escrever. Faço aqui então um registro dessa minha madrugada improvável. Espero, depois de publicar, dar de cara com meu sono que estava perdido por aí.

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A tal da saliência e as vidas que importam

Antes de começar a estudar neurociência, saliência pra mim era só uma palavra engraçada que não fazia parte do meu vocabulário cotidiano. Uma forma divertida e meio tosca de falar do atrevimento sexual de alguém, ou talvez da gordurinha sobrando na barriga.

Depois me acostumei a compreender a palavra saliência como uma propriedade de um estímulo cognitivo, e seu significado mudou completamente para mim. Hoje, saliência é a minha palavra preferida para entender por que alguns estímulos geram uma grande mobilização social, ao passo que outros não.

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Foto de pôr-do-sol em São Paulo

O nudge que me fez gostar de meditar

Sempre me considerei uma pessoa automotivada e com uma disciplina e capacidade de autocontrole acima da média para algumas coisas (não para tudo). Essas características me dão uma bela ajuda pra cumprir os objetivos que coloco pra mim mesma. Mas acontece que sou humana. Tem coisa que não vai. Planejo, mas não sai.

Desde que comecei a estudar comportamento, tenho voltado o olhar pra mim mesma pra ver onde dá pra aplicar o que venho aprendendo. Uma das coisas que por muito tempo planejei (mas não engatei) foi meditar. Agora parece que o negócio está andando, graças a um nudge que criei sob medida pra mim mesma. Um self-nudge, talvez? Se ainda não existe essa expressão, vocês são testemunhas que estou criando ela agora!

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O experimento da doença asiática

O ano é 2020. O mês, janeiro. A cada dia se tornam mais intensas as notícias do tal vírus que eclodiu uma epidemia na China e acabaria levando a milhares de mortos no país.

Acompanhando as primeiras notícias do que viria a se tornar a pandemia de coronavírus, não pude deixar de me lembrar do experimento da doença asiática, conduzido por Amos Tversky e Daniel Kahneman há uns 40 anos atrás. Esse experimento é uma das mais conhecidas demonstrações do viés de framing, ou enquadramento, em tomada de decisão.

Em uma frase curta, esse viés é o seguinte: dependendo da forma como uma mesma informação ou um mesmo problema é apresentado, podemos tomar decisões diferentes. Sim, estamos falando sobre uma pessoa obter resultados diferentes — ou exibir “mudanças de preferência”, no economês — para uma mesmíssima coisa, a depender da moldura com que ela se apresente.

Sabe aquele papo de que a forma como se fala é quase tão importante quanto a mensagem em si? Tem a ver com isso.

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