O experimento da doença asiática

O ano é 2020. O mês, janeiro. A cada dia se tornam mais intensas as notícias do tal vírus que eclodiu uma epidemia na China e acabaria levando a milhares de mortos no país.

Acompanhando as primeiras notícias do que viria a se tornar a pandemia de coronavírus, não pude deixar de me lembrar do experimento da doença asiática, conduzido por Amos Tversky e Daniel Kahneman há uns 40 anos atrás. Esse experimento é uma das mais conhecidas demonstrações do viés de framing, ou enquadramento, em tomada de decisão.

Em uma frase curta, esse viés é o seguinte: dependendo da forma como uma mesma informação ou um mesmo problema é apresentado, podemos tomar decisões diferentes. Sim, estamos falando sobre uma pessoa obter resultados diferentes — ou exibir “mudanças de preferência”, no economês — para uma mesmíssima coisa, a depender da moldura com que ela se apresente.

Sabe aquele papo de que a forma como se fala é quase tão importante quanto a mensagem em si? Tem a ver com isso.

Leia mais »
Foto de Isabella Paschuini com livros ao fundo para a capa do artigo sobre como planejou um período sabático

Como me planejei para um período sabático

Há pouco mais de um mês iniciei algo inédito na minha vida pessoal e profissional: um período sabático.

Vou ser sincera com vocês, não gosto muito da palavra “sabático”. Ela vem do hebraico shabat e significa descanso, o que, como vocês vão ver, não é exatamente o que acontece no meu dia a dia. Então tenho preferido falar que iniciei um gap year*.

Sabático ou gap year, o fato é que ter tomado essa decisão não foi algo simples. Envolveu muito planejamento e preparação. Não à toa, ao contar meus planos para as pessoas, a reação mais comum tem sido:

— Nossa, admiro sua coragem!

Sei que muitos têm vontade de fazer essa mesma loucura um dia, então resolvi dar uma visão geral dos principais pontos que me motivaram a planejar esse período. Sinto que aprendi bastante com o processo e quero compartilhar o que foi essencial para que esse plano “corajoso” se tornasse realidade.

Leia mais »

A crença infundada na capacidade futura

Se tem um erro de julgamento e tomada de decisão claramente previsível em nós humanos, é essa coisa de acreditar que lá na frente vai ser muito mais fácil fazer algo que adiamos agora. Isso aparece em vários aspectos da nossa vida. É a tal da crença infundada na capacidade futura.

Olhando com minha polianice, gosto de pensar que é porque somos otimistas (taí outro assunto sobre o qual quero escrever em breve). Mas a verdade é que depositamos muitas expectativas em nosso eu futuro. Afinal, nós queremos ser perfeitos e sem falhas um dia, não queremos? Por um mundo de fadas sem defeitos! Mas amanhã, não hoje.

Leia mais »

Extreme Trust: o livro que mudou tudo

A gente adora estabelecer relações de causalidade porque temos sede de explicação, de coerência. Deve ser por isso que de vez em quando tento resgatar qual foi o gatilho que me despertou o interesse pelo estudo do comportamento humano. O que exatamente me fez acabar chegando até o momento atual? O mais provável é que tenha sido uma convergência de coisas que aconteceram na minha vida (posso falar mais sobre isso outro dia), um somatório. Mas não posso negar que um livro teve um poder de influência imenso nessa trajetória.

Lá por 2016 ou 2017, ainda na Vérios, comecei a entender o valor das conexões emocionais dos clientes com o negócio e a importância disso como uma alavanca de aquisição orgânica. De curiosa, pesquisava muita coisa sobre isso… E muitos caminhos me levaram a este livro: Extreme Trust: Turning Proactive Honesty and Flawless Execution into Long-Term Profits, de Don Peppers e Martha Rogers.

Leia mais »